Suponhamos

Suponhamos

Suponhamos que…

Constantemente digamos sem reserva alguma o que pensamos.

Hoje e amanhã, sem parar, estapeemos a honra alheia.

Atiremos traços de nanquim em alvos prediletos.

Rabisquemos valores e culturas com sátiras caricaturadas.

Louvores pelo fim da repressão fizessem da expressão, então liberta, a nova prática de opressão.

Ignoremos que charges alemãs ridicularizavam judeus nos preparativos da Segunda Guerra.

Exercícios de ironia e subestimação de crenças religiosas fizessem a alegria de cartunistas.

Hierarquias jurídicas estabelecessem no ápice de todos os direitos a liberdade de expressão.

Esforços para a instalação da paz fossem evidentes simulacros pela falta de respeito entre os povos.

Batizemos nossos filhos com o nome de jornalistas dedicados ao bullying sistemático em escala internacional.

Dinamites, artefatos bélicos e terror generalizado medissem força com um direito esquálido e amoral.

Olhemos a violência como vítimas indignadas, inocentes, insensíveis ao fato de que liberdade, igualdade e fraternidade estão muito distantes da (des)graça de tratar os demais como bonecos de diversão.

Suponhamos que este seja o mundo que construímos!

29 comentários

  1. Infelizmente, vivemos em um mundo onde qualquer instrumento pode virar arma. Seja tinta, gás ou aço. Uns não se expressam e seguem em silêncio. Outros se manifestam demais, pro bem ou pro mal.
    Estamos tão carentes, que o fato de alguém ser sensato em meio a assuntos polêmicos já nos impressiona. Agora vamos supor um mundo repleto dessas pessoas sensatas. O que podemos fazer, é ser uma delas.

    • Em meio às nuvens da suposição, Natalia, Evandro Lins e Silva, eleito Advogado do Século XX, se ainda estivesse entre nós, nos saudaria com a recordação da legítima defesa da honra. Da honra espezinhada sob os pés de contumaz desdém público, que tanto defendeu nos Tribunais do Júri…

    • Dizem que Newton teve o lampejo da teoria da gravitação quando lia debaixo de uma macieira e foi acertado pela fruta provocativa de Adão e Eva.
      Suponhamos que naquele instante exato em que a maçã descia para atingir a cabeça do gênio, você, Fernando, fosse um arqueiro e flechasse o fruto proibido. Assim você o é, Fernando! Não se trata de mera suposição! O seu comentário foi na ferida! Me causou arrepio!
      Mas… Voltando à vaca antes que fique fria… Suponhamos que o extremismo religioso seja consequência do secular extremismo da liberdade de expressão…
      Corro logo para me fazer claro, como advogado em causa própria: não sou um talibã, tampouco fundamentalista islâmico. Sequer posso dizer que simpatizo com os muçulmanos; não conheço a fundo a religião de Maomé. Quero apenas instigar o conhecimento de toda a dramaturgia para que, então, suponhamos, seja chamada de realidade.
      Só sei que a verdade, que todos querem para si, existe tão somente para os mais radicais.
      Abraço apertado, Nando!

  2. D. Menezes, você nunca vai longe demais. Nossas suposições, porém, não resistem ao que realmente acontece. Os chargistas franceses gostam do deboche. Os fundamentalistas islâmicos gostam da morte.

    • É verdade, Fernando!
      De todo modo, admito minha necessidade de ingressar em séria reciclagem no tema “liberdade de expressão”, diante do que me parece um acúmulo de charges que traem os ditos civilizados e os revelam como os bárbaros na vida e na arte.

      Em sua grande maioria são imagens que provocam mais repulsa que risos despreocupados!

  3. D. Menezes, meu caro: não acho que voce precise perder tempo com processos de reciclagem, muito menos a respeito do tema liberdade de expressão. Ela é o caminho para atingirmos um grau de civilidade suficiente para eliminarmos da nossa realidade a violência como método de resolver as divergências. A tolerância é o grande lance. Se eu aceitar o seu ponto de vista, não vou te matar. Eu tenho que aceitar o seu ponto de vista. Eu posso achar Jesus um caipira e você me achar um idiota por causa disso. Você não tem o direito de me matar por que penso assim. Isso é diplomacia, é civilidade, antídotos contra a matança desenfreada. A imagem não me choca. Mas posso achá-la um produto de um imbecil qualquer.

    • Até ontem havíamos a dignidade da pessoa humana por primogênita dos direitos fundamentais.
      A honra deve, então, subserviência à liberdade de expressão?
      Quem mudou as regras do jogo?
      Não há limites para a expressão do pensamento?
      Liberdade desmedida versus tolerância infinda é a equação perfeita da dominação.
      Lembro das crianças… Quando estão na iminência de perder a peleja pedem ‘tempo’. Mas estejam a vencer e se divertem a ver o adversário sucumbir…

  4. A honra é uma vaidade. Honra é não se abater por opiniões. Quem disse que é fácil? Tudo é dificil. A democracia exige espaço pra todos. Deve haver uma saída. A tolerância é uma sugestão.

  5. Je ne suis pas Charlie
    Que me perdoem por não sê-lo, creio que todos são responsáveis por tudo que tornam público, e creio mais ainda que a cada vez que se provoca “ um ser enjaulado” cria-se força , propaga-se o medo e cria a necessidade do animal se auto afirmar.
    Lendo o review do livro The Literary Churchill, este procurou explicar os motivos do inicio da 2ª guerra e o porque de diversos “appeasers” estarem tão preocupados com o humor , no mínimo duvidoso, britânico.
    Neste livro é dedicado um capitulo inteiro , tratando da visita do secretário de relações exteriores, pessoalmente com Hitler em 1937, onde o próprio afirmava seu profundo ódio a liberdade de imprensa britânica, sendo ela, apontado pelo próprio, o maior obstáculo contra paz, onde o mesmo era severamente ridicularizado em cartuns e prosas antigermânica.
    Após regressar este mesmo secretário chegou com a ideia que todos nós mantemos na cabeça, basta a imprensa colaborar que tudo se resolve, bom não deu certo no século passado e dificilmente dará certo hoje em dia.
    Primeiramente porque nenhum dessa geração conhece de verdade os horrores da guerra, em seguida que não há limite para o humor, não sendo o suficiente, a sociedade comprou a ideia que a ofensa gratuita ocidental não se pode ser combatida pela ofensiva árabe .
    Churchill afirma em suas dezenas de frases celebres, que jamais devemos alimentar o crocodilo acreditando que seremos o ultimo a sermos devorados, não é isso que estou pensando, porém ir até o zoológico e colocar o braço dentro da jaula e não esperar que o mesmo não te ataque, e mais do que inocência do bom humor é o mais profundo senso de impunidade.
    Talvez esteja já me estendendo um pouco além do que deveria, mas inicio uma ultima reflexão, quem está errado? Todos estão! Pois talvez se a pobre criança não tivesse enfiado a mão na jaula do tigre este não teria sido atacado, entretanto se o pai tivesse agido com olhos repressores a criança não teria tomado tal atitude, porém somos todos humanos, e o ceifar vidas é uma atitude animal, mesmo ainda sendo humanos.
    Assim sendo, não somos nós os culpados pela loucura dos outros e imaginar o contrário por medo ou ignorância é o partilhar da sua máxima loucura, porém nos tornamos participes dos crimes realizados quando deixamos uma pequena parcela da sociedade(no caso cartunistas de uma revista) infligir risco a toda uma sociedade em troca de venda de revistas e umas risadas frouxas e sem sentido.

    • Concordo plenamente, Macaiver! Permitam-me mais uma história…

      Um grande criminalista obteve uma absolvição sem precedentes perante o Tribunal do Júri.

      Seu constituinte centralizava a atenção dos jurados por um homicídio perpetrado com aproximados 17 disparos, em sua maioria direcionados à caixa craniana da vítima.

      O respeitável defensor teve a palavra concedida pelo juiz. Fez as saudações usuais ao magistrado, ao júri reunido, ao presentante do Ministério Público, ao escrivão, ao taquígrafo, ao réu, aos familiares do acusado, ao público assistente.

      A praxe se repetiu na mesma ordem, lenta e ritmada, na cuidadosa referência aos presentes à sessão daquele ínclito Tribunal. Sorveu um gole calmo e cristalino de água. A ladainha foi entoada uma vez mais. Julgadores, parquet, auxiliares da Justiça, o pesaroso denunciado, a parentada excitada, a plateia expectante…

      Prestes a reiniciar o rosário, como se, alheio ao tempo, rezasse as mesmas palavras com um terço em mãos, o meritíssimo que presidia o julgamento afastou para trás e de sobressalto o sólio acolchoado, deslocou seus óculos para a ponta do pomposo nariz, reclinou a cabeça para frente, em angulação premeditada, e por sobre as lentes mirou o advogado, admoestando-o com rudeza, esbravejando a respeito do tempo que se esvaía sem defesa ao pária cujo veredicto o aguardava.

      — Prossiga a oratória! Seja direto! Vá ao ponto, já! — vociferava com os lábios trêmulos.

      Inabalável. Assim o causídico se manteve. Outro gole, bem barulhento, para garantir o silêncio do salão. Pigarreou e, inflado de eloquência, falou com ar de professor a uma classe atenta à aula magna. Transitou o olhar em círculo, a que ninguém escapou:

      — Suponhamos, digníssimo juiz, excelsos jurados, soberana parcela do povo; suponhamos que um dia após o outro Vossas Excelências fossem pisoteadas, sofressem acintosos, agressivos pontapés, caso a vida não lhes favorecesse com um abrigo e a sorte lhes concedesse como lar um furtivo pedaço de calçamento de agitada via pública. Suponhamos que a mesma pessoa, sempre na ida para o seu formoso trabalho, vestido com honraria, se valesse de seu brilhoso par de sapatos para desferir golpes duros, quase todos apontados contra a fácies do famigerado a quem incorporamos. E suponhamos que, além do nosso sangue, também fosse arrancada nossa alma, nossa dignidade. Os xingamentos mais furiosos seriam música agradável aos ouvidos convertidos na mais vil latrina. A surdez ou a loucura seriam divinos alentos que Deus ignorou no caso de que falamos. Recuperando-nos durante o dia sem conseguir nos evadir da humilhação certa da noite, numa perseguição que parecia contar com holofotes e cães farejadores, mas que na verdade gozava da sanha malévola, do caráter repugnante do nosso algoz.

      — A gratuidade da selvageria não se esgotava — após sensibilizar a grande assembleia com a desumanidade do massacre, deslocou a suposição para a realidade. Da inação e inanição do infeliz, o verdugo se fez implacável. Os dias se acumularam e se fizeram meses; superaram um ano de vilania. As vergonhosas visitas se faziam mais cruéis. Excrementos eram lançados como despertadores de mais uma solenidade da seita infernal professada por aquele homem bestial.

      — Até que um dia… — uma longa pausa se cravou. Foi preferível matar a morrer de soturna escravidão. Este inocente réu quis proteger a última centelha de moral que lhe restava. Apropriou-se de uma arma, obtida junto a outros moradores de rua, habituados a contravenções, e no momento azado, antes que fosse a esbatida vítima de todas as noites, descarregou toda a munição no rosto que tanto odiava.

      A maior surpresa estava na confissão do crime, promovida pelo patrono do acusado. Como um maestro acenando o início do falatório, o defensor também o faria calar, para enfim rematar:

      — Tolerância, tolerância! É o que todos pedem e repetem em rádios, jornais e televisão. Todos ensaiam o cântico da paz, acudindo-se em seus casarões faustosos ou por detrás dos gradis com lanças pontiagudas… Se a dor arrombasse sua porta cotidianamente, desafiando seu lado animalesco, poucos se sairiam dignos representantes da civilidade. Em alguns minutos, saudei os presentes com cordialidade e, civicamente, repeti a reverência que a militância me ensinou desde quando meus fios de cabelo luziam como seda. Ao fim destes poucos minutos, a mais alta autoridade deste recinto pôde nos mostrar a todos a extensão do pavio da tolerância. O que se dirá de mais de um ano a fio de escória e opróbrio injustificáveis?! A honra também é merecedora de defesa. De legítima defesa.

      • O prazer é todo meu!
        Ainda nessa linha de raciocínio, reitero minha dúvida qual o limite para a auto defesa da honra?
        Será que é o mesmo do humor?

  6. Na manhã desta quarta-feira, o humorista francês Dieudonné M’Bala M’Bala foi detido para ser interrogado por suposta apologia ao terrorismo, segundo a promotoria francesa.
    Dieudonné publicou em seu perfil no Facebook “Eu me sinto Charlie Coulibaly”, associando o jornal satírico ao sobrenome do jihadista morto na última sexta-feira, no mercado de produtos judeus.
    Seu pensamento voou livre por sítios interditados… Não pode! C’est la vie…

  7. A questão tem, de fato, uma profundidade enorme. Há autores que a remetem ao período colonial, outros vão mais distante. Não consigo, também, admitir que a questão gire em torno somente das charges. Sabemos que os países que tem participado das ofensivas contra a Formação do Estado Islâmico estão correndo risco de ataques eventuais. A guerra existe e seu combatentes estão em todo o mundo. Salvo engano, a religião islâmica é a que mais cresce e não faltaram radicais para matar corpo, assim como não faltaram radicais para agredir a alma. Quem é radical só aguarda a ocasião.
    Por outro lado, temos motivos para evitar o pessimismo. O principal deles é que o mundo nunca deixou de estar em guerra e que as guerras eram bem mais graves. A única mudança substancial está nos instrumentos de guerra disponíveis: Os ditadores -tanto dos principados como das plutocracias- com suas bombas atômicas e suas armas químicas e os seus súditos e seguidores guarnecem fuzis, bombas, aviões, notebooks e smartphones de última geração. Cada qual combate com as armas com as quais se afina e pratica a violência que são capazes.
    Da minha parte, prefiro ter minha honra vilipendiada a perder a vida e estou mais propenso a ofender a moral de terceiros do que tirar a vida de qualquer, mas vai saber o que é pior.. É uma questão de perspectiva e de ponto de vista.
    A solução do enigma está longe de ser encontrada. O jeito é excluir a França, mesmo que temporariamente, do grupo de nossos possíveis destinos turísticos e continuar evitando a Faixa de Gaza, Síria, Iraque e demais áreas conflagradas pela guerra que não cessa no Rio de Janeiro e no resto do mundo.

  8. Enxergo-me na necessitada condição de um paciente, recorrendo ao fraterno tratamento da Caw Diálogos, que me privilegia com a riquíssima terapia da comunicação!

    Expurgo as mazelas da alma, os pensamentos fantasmagóricos e confusos, depositando-os nas palavras, funcionando como ampolas, sendo submetidos ao exame minucioso de quem os lê e decodifica, apresentando-me diagnósticos e receitas da mais alta competência.

    Empurro indignação e polêmica. Recebo apuradas doses de ressignificação e respeito. Avanço como defensor da causa dos discriminados e incompreendidos. Retorna, em minha própria defesa, o silêncio ou a resposta de quem é justo e moderado para comigo.

    Estico e vejo fora de mim que os protagonistas do cenário brutal que tomou de assalto a humanidade são tão doentes quanto o sou. Falta-me, decerto, talento e irreverência de uns, assim como obstinação e crueldade de outros; todavia, sofremos da liberdade transformada em libertinagem, da intolerância metamorfoseada em munição letal para o terror.

    Prefiro dizer que sou Fernando Corbo, pelo muito que nossos ideais se identificam e se reconhecem como irmãos. Sou abertamente contrário a toda espécie de ofensa; porém, matar é, de fato, o crime mais bárbaro.

    Da mesma forma sou Natalia Avila, Macaiver Ferreira, Arthur Gomes dos Santos…

    E não canso de exaltar o quanto sou grato ao pai da Caw Diálogos, Márcio Aguiar, pela terapêutica que me proporcionou; afora o incentivo para que eu nunca deixe de acreditar na cura excelsa, sintetizada no amor ao próximo.

  9. Meu amigo D. Menezes: proponho sairmos do meio do conflito. Proponho pegarmos um helicóptero. Vamos ver de cima e no macro. A guerra fria acabou. Agora, as divergências entre oriente e ocidente são religiosas. Mas isso é um mero pretexto. No fundo, todos buscam a mesma coisa. Os mulçumanos ainda não conquistaram o pouco de respeito formal que têm hoje os negros, os judeus e os gays. O sentimento é uma coisa; o exercício imposto é outra. A liberdade de expressão é uma besteira. Os extremistas religiosos do Islã matam, não pelas charges, mas pelo que são os “inimigos”, tanto que mataram judeus quatro dias depois do atentado ao jornal francês. Os mulçulmanos são pessoas comuns. Os extremistas muçulmanos é que são perigosos. Os chargistas franceses são uns bobos e deram motivo aos fundentalistas de Maomé. O jornal francês se deu bem com o massacre. O mundo é esse; é um jogo. A liberdade de expressão não está em jogo. O moralismo é um objetivo. O que efetivamente acontece não considera o moralismo. O mundo é regido pelos interesses. Daqui há trezentos anos, talvez, a matança seja eliminada do cotidiano da humanidade, porque só o atingimento de um determinado grau de civilidade pode diminuir a violência.

    • Perfeito, Fernando!

      Peço licença, apenas, para costurar um remendo com a linha dos meus pensamentos e a agulha afiada dos seus: talvez a violência diminua com o atingimento de um determinado grau de barbaridade…

      Gostaria de estar errado, meu caro amigo! Mas, percebo que, confrangidos pela densa escuridão, confessaríamos ter aniquilado a Luz e não descansaríamos até reencontrar o Luzeiro!

  10. Aproveitando o ensejo, me atrevo a sugerir um tema para mais um artigo, Menezes: As principais diferenças entre a famigerada tentativa de formação de um Estado islâmico -até agora frustrada- e a formação de um Estado judaico -que de tão bem sucedida, resultou no único Estado que, na modernidade, amplia dia após dia seu território com a implantação de suas colônias nas nações vizinhas.
    Trata-se de um dos panos de fundo do tema ora tratado, mas que de secundário não tem quase nada.

  11. Desde que as suas engendrem as raízes, firmes como de costume. Quem sabe não tenhamos galhos não tão secos para adereçar mais um nobre eixo neste espaço?

  12. Quando o Direito e a Justiça viam seus conceitos mais estimáveis a naufragar, eis que surge o Papa Francisco a lhes salvar:
    “Acho que os dois são direitos humanos fundamentais, tanto a liberdade religiosa, como a liberdade de expressão. É verdade que não se pode reagir violentamente, mas se Gasbarri — referindo-se a um de seus colaboradores presentes —, grande amigo, diz uma palavra feia da minha mãe, pode esperar um murro. É normal!”
    Irretocável! Um imenso alento para o coração!

    • Sem duvida. Charlie Hebdo trabalha exatamente pra receber murros e colher os frutos. Subestimaram os riscos evidentes que corriam ao mexer com os alucinados. Talvez não levavam fé sobre a seriedade dos caras. Talvez se achassem intocáveis. O direito de caçoar é o negócio deles. Perderam alguns soldados, mas, ganharam o mundo, pelo menos por enquanto. Esperavam os murros, mas levaram bala, e ganharam fama. Ozama não esperava derrubar as torres gêmeas. Charlie certamente não esperava vender tantos jornais com o atentado.

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