Acorda moçada

Acorda moçada

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O Brasil criou uma geração acostumada a que tudo “caia do céu”. Palavras mágicas quais trabalho, sacrifício, esforço, responsabilidade, empenho e patriotismo foram esquecidas por legiões. Só que uma hora a onda bate nas pernas e quem não estiver firme será levado.

Há muita gente que se queixa de falta de oportunidade, de sorte madrasta, de governo que não oferece perspectivas. Mas quando se quer algo, de verdade, o panorama pode mudar.

É o exemplo de um jovem americano, Casey Gerald, que fez MBA em Harvard e resolveu “dar um empurrão” na moçada de seu país, para assumir responsabilidades e exercer empreendedorismo.

Sua vida não foi fácil. Nasceu no Texas, foi abandonado na infância pelo pai, usuário de drogas e pela mãe bipolar. Cresceu em zona pobre de Dallas, sob a tutela da avó, que ganhava a vida fazendo faxina. Sabedor de que seu futuro dependia dele mesmo, estudou e entrou na Faculdade de Direito de Yale.

Logo após a colação de grau, conseguiu emprego no Banco Lehman Brothers, aquele mesmo, envolvido na crise de 2008. Viu que um emprego não era tudo. Tinha a vocação de despertar sua geração para um protagonismo transformador.

Não foi a passagem por Yale e Harvard que plasmaram seu intuito. Foi a experiência de vida. Determinação, diz ele, não se aprende em Harvard. Aprende-se quando se é pobre.

Seu primeiro pagamento no Banco Lehman Brothers equivalia a seis meses de faxina de sua avó. Mas ele se sentiu miserável e pensou em redimir outros jovens na sua situação. “Não podemos nos dar ao luxo de esperar que as grandes corporações ou governos resolvam nossos problemas”. A ordem é ser empreendedor e criar oportunidades econômicas.

Ele acredita que alguns dos melhores empreendedores dos próximos 50 ou 100 anos serão jovens de lugares como as favelas brasileiras, que vão acordar um dia e dizer: – “Quer saber? Isto aqui é um saco! Eu vou fazer algo diferente!”.

Ele acredita que as soluções que esses jovens encontrarem para problemas contemporâneos serão melhores, mais interessantes, vitais e urgentes do que as de alguns herdeiros da elite que já receberam tudo pronto.

Ele acredita que a juventude pode mudar o mundo. Para isso, é suficiente um forte encorajamento moral. Acorda moçada! Vai para a luta!

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Sou Desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo. Docente universitário. Membro da Academia Paulista de Letras. Autor, entre outros, de Ética da Magistratura (2ª ed.), A Rebelião da Toga (2ª ed.) e Ética Ambiental (2ª ed.).

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