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Quem é simples necessariamente precisou dominar o ofício em que trabalha. Apoderou-se do clássico, transitou por tendências e modismos, até construir sua própria arte. O que é simples não é fácil. Singular é o que é; excepcional, nome próprio, não admite plural. É único, incomparável, sem igual.

Faz tudo pelo ímpeto de dar expansão à sua alma e, sem querer querendo, faz nascer o novo, o original, o genial. Quando percebe que deixou de ser considerado um louco para ser admirado, se surpreende como uma criança. Se lhe entendem, confirma: isso, isso, isso. Se não lhe compreendem, recolhe-se a seu barril.

A simplicidade não é conhecida pelos arrogantes e egocêntricos. Tudo que é singelo, do topo à raiz, produz grandes feitos; são astúcias, com as quais ninguém contava. Reconhece que chorar é tão natural como uma necessidade fisiológica. A onomatopeia é a mesma de quem se dirige ao banheiro e faz seu pi-pi-pi-pi-pi, sem se acanhar com isso.

A perfeição é um peso aos ombros da pessoa simples. Portanto, prefere administrar suas imperfeições, tratando-as da forma que melhor conhece: o modo mais simples que há. Então, as expõe publicamente, fazendo com que achem graça do que para os mais pomposos seria a maior das desgraças.

A vida é simples assim. O que parece ser a morte é simples invisibilidade. Efeito das pílulas de nanicolina.

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O centenário e a vitalidade do colosso da Música Popular Brasileira

Há pessoas que vivem de um modo muito particular. Não seguem modismos. Pelo contrário ― ditam os rumos da moda. Mas agem com naturalidade; não esperam quem lhes venha no encalço para render bajulações. Nenhuma moldura enquadra bem o seu retrato, exceto aquela que for artisticamente original.

Após 100 anos do seu nascimento, dos quais, em 60 quase completos, esteve pisando em solo brasileiro, até deixar seu corpo no subterrâneo e legar à cultura do seu povo a sentimentalidade de marchinhas e sambas-canção, Lupicínio Rodrigues ainda é único.

Porto-alegrense, bedel da Faculdade de Direito da UFRGS ― aquele que inspeciona e disciplina o corpo discente e docente na universidade ―, compôs e cantou a traição e o amor, as fraquezas do homem enjeitado pela mulher. Fez-se inventivo para contornar a própria dor, a dor que desmentiu o boato da fragilidade do sexo oposto. E a chamou, pela primeira vez, de dor-de-cotovelo, pelas noites a fio que o bruto não amado atravessa com os cotovelos fincados na mesa ou no balcão de um bar, bebendo no mesmo copo, servido sem parar, na faina de apagar a flama intensa que lhe devora o raciocínio e a hombridade de quem duvida que a paixão pode escravizar.

Sua alegria estava na roda de amigos, seu público predileto. Ainda doou seu talento ao clube do coração, entregando à posteridade o hino do Grêmio, ao lado de uma coletânea de mais de uma centena de canções.

Diz-se que outras centenas de composições de Lupicínio se perderam. Certo é que sua arte fulgente ainda emite o mesmo brilho das estrelas distantes, cujo ocaso não impede sejam contempladas na noite espessa em que o rádio mergulhou, com ritmos e batuques que, tomados por suposta música, insistem em encobrir o céu de nossos ouvidos.

Ainda asim posso ouvir: enquanto intérpretes e aplicadores do Direito, o que temos a ver com Lupicínio Rodrigues? Recorro a Pablo Picasso, que já nos fiou a resposta:

“A arte lava do espírito a poeira da vida diária.”

Limpos pela boa música, cumpre-nos inovar na rotina e exercer o melhor Direito, que ainda há de surgir pelo nosso modo muito particular, sem seguir modismos…

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