Seguro contra o medo

Seguro contra o medo

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O setor de seguros é um dos mais sedutores nestes tempos de incerteza. Se no século XXI a única certeza com que se pode contar é a incerteza, precaver-se contra o inesperado é a única alternativa sensata.

Ainda ontem meu amigo Antonio Penteado Mendonça, cuja expertise no direito securitário é reconhecida internacionalmente, dizia não ser “apenas o momento político nacional que está complicado. Em razão das mazelas que foram introduzidas como ferramenta de gestão ao longo dos últimos anos, o Brasil, em todas as áreas, atravessa um dos momentos mais delicados de nossa história. A quebra dos padrões éticos levou a nação a aceitar desmandos de todos os tipos, ações inconsequentes, corrupção e bandalheira como algo normal”. (OESP, 2.5.16, p.B9).

A fome de ética é mais grave do que a situação famélica a que milhões estão sendo levados, quando a cifra do desemprego só aumenta e é baseada apenas no número dos que ainda procuram trabalho. Quantos outros já desistiram de engrossar a fila dos que anseiam por uma carteira assinada?

Nesse momento o seguro avulta de importância. Além de oferecer amparo em situações emergenciais, é a ilha garantidora de sobrevivência, ao menos por um período. Nunca antes neste país se valorizou tanto o ‘seguro desemprego’.

Mas em tempos dramáticos, nada como ser criativo. As seguradoras precisariam pensar num ‘seguro contra o medo’. O medo que, sorrateiro, ameaça todas as pessoas conscientes. O que fazer neste momento? Deixar o Brasil? Investir minhas parcas economias em dólar? Adquirir um imóvel? Mudar de ramo, de atividade, de cidade, de país?

Um seguro contra o desalento, contra o desânimo, contra a desesperança, é o produto de que a Nação está hoje a necessitar. É o clamor do brasileiro honesto, que não se envergonhou de ser ético e de acreditar na bondade natural do semelhante, diante do descalabro a que nossas escolhas nos conduziram.

Pensemos todos em oferecer este produto para o Brasil: um seguro contra o justificável pessimismo, palpável e real, se analisadas as perspectivas dos analistas. Cujo prêmio seja a última réstia de confiança num povo cuja índole não é voltada para o mal e que merece uma chance em sua História.

Sejamos todos corretores desse “seguro contra o medo” e honremos sua validade, pois o sinistro, paradoxalmente, será o horizonte de melhores dias para o Brasil e sua gente.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 07/05/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: [email protected].

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Sou Desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo. Docente universitário. Membro da Academia Paulista de Letras. Autor, entre outros, de Ética da Magistratura (2ª ed.), A Rebelião da Toga (2ª ed.) e Ética Ambiental (2ª ed.).

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