A Essência do Autoconhecimento

A Essência do Autoconhecimento

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Ao longo da história do estudo da mente Humana duas grandes ideias estiveram, até certa altura, em confronto directo:

1) a ideia que nascemos formatados;

2) a ideia que nascemos desformatados.

Nascer formatado implicava que, mentalmente, nascíamos como que já predestinados, com valores e crenças latentes que, não estando no nosso controlo, pouco ou nada poderíamos fazer para contorná-las. No fundo era como se já, desde a nascença, estivéssemos condenados ao fracasso ou ao sucesso, e isso fosse inevitável.  Desta forma nasceríamos como que com “conhecimentos inatos” como defendia Platão.

Por outro lado nascer desformatado implicava que, mentalmente, nascíamos como que “em branco”, como sendo um campo infinito de possibilidades para nos tornarmos o que quer que nos desejássemos tornar. A nossa mente seria como que uma “tábua rasa” onde qualquer coisa podia ser escrita. É o equivalente a uma “folha de papel em branco”. Esta ideia foi defendida por Aristóteles que defendia que a nossa mente nascia que desprovida  de qualquer conhecimento inato.

Muito mais tarde, decorria o ano de 1690, esta tese foi novamente defendida, desta vez por John Locke, filósofo Inglês, na sua obra Ensaio Acerca do Entendimento Humano.

Na verdade, nascer desformatado é uma das maiores dádivas do Universo. Nascer desformatado implica que a nossa mente, logo após o nascimento, se pode desenvolver no sentido que desejamos. No entanto há um efeito que pode ser perverso no meio desta dádiva.

Esse efeito é que, enquanto crianças e mesmo muitas vezes enquanto jovens e adolescentes a nossa “tábua rasa”, a nossa “folha de papel em branco” que é a nossa mente foi escrita por outras pessoas que não nós mesmos. Ela foi escrita pelos nossos encarregados de educação sejam eles os pais, outros familiares e professores  ou até mesmo a própria sociedade com a  formatação que tende a impor-nos.

Fica então claro que, na verdade, pragmaticamente falando, nós não somos nós. Nós somos uma mistura de todas as outras influencias que recebemos e que moldaram e formataram a nossa maneira de ver a vida, o Mundo e tudo aquilo que nos acontece.

Mas há mais um milagre da criação aqui. Tal como não nascemos formatados, como defendeu Platão, a formatação que vamos recebendo ao longo do nosso processo de crescimento e educação não é indesformatável. Isto quer dizer que pode ser desformatada a qualquer altura assim que realmente nos conhecermos e percebermos se a formatação que recebemos nos é útil para alcançar os nossos objectivos ou não.

Assim sendo a nossa mente, não só nasce desformatada como é desformatavel. Caso não concordemos com a formatação actual podemos como que fazer delete da informação que já não serve e apenas está a ocupar espaço e gravar, no seu lugar, informação que seja útil à nossa caminhada no processo actual de evolução em que nos encontramos.

O início deste processo de mudança é o auto-conhecimento.

Este auto-conhecimento tem por base uma rigorosa auto-análise. Quando nos auto-analisamos estamos a estudar-nos a nós mesmo. Observamos os nossos medos, as nossas crenças, os nossos valores, pensamentos, hábitos começando a perceber, no meio de tudo isso, quem nós somos na verdade.

 Na maior parte dos casos, através da auto-analise, percebemos que funcionamos justamente como robôs, como Computadores formatados, formatados por medos, crenças e valores que não são, na verdade nossos, são de outras pessoas. Acabamos por agir em modo piloto automático, guiados por velhos condicionamentos passados que já de nada nos servem.

O auto-conhecimento é então fruto do  processo de auto-análise

Assim sendo, só através de um processo de reflexão e de profunda análise interna é que começamos verdadeiramente a nos conhecer e a perceber que parte desse lastro de convicções passado é mesmo nosso. Passamos a ter algo que possui um valor inestimável: passamos a ter o poder de decidir. Decidir se queremos mudar ou não e, caso queiramos, a passar à segunda parte que é justamente a desformatação e reformatação.

Uma analogia interessante é a analogia do Computador. Vamos supor que temos um computador que já à bastante tempo está lento e até, por vezes bloqueia. O computador está cheio de ficheiros antigos e desactualizados que já não nos interessam e nunca mais os queremos usar.

É o peso e os vírus que esses ficheiros possuem que nos estão a bloquear o computador. A origem do problema está detectada. Abrimos alguns desses ficheiros para os examinar, fizemos um rigoroso Scan Anti-virus e o resultado não mente, são esses os “ficheiros fatais”. Como os ficheiros são muitos e estão profundamente enraizados no Sistema é necessário realizar uma Formatação do Disco.

Uma vez que essa formatação esteja concluída (o que leva o seu tempo) o Computador vai voltar a funcionar rápido, sem bloqueios e com muito mais espaço no disco.

É justamente isto que acontece com a nossa mente e é também por isso tão maravilhosa a ideia de “tábua rasa

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Pedro J. de Moura
Autor: Pedro J. de Moura nasceu em 1991 em Cascais onde estudou. Mais tarde, após concluir o ensino secundário ingressou na Universidade de Lisboa. Os conceitos dogmáticos e as verdades inquestionáveis nunca lhe fizeram muito sentido. Assim sendo, encontrou na Internet um veiculo para se expressar de forma livre e criativa enquanto Autor, Designer e Internet Marketer.

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